De própolis “gosmento” à mordidas com secreção, são variados os mecanismos de defesa das abelhas nativas que não possuem ferrão.

Confira seis espécies que utilizam métodos alternativos à ferroada para preservar a colmeia de possíveis ataques de humanos, bichos e insetos:

1. Lambe-olhos (Leurotrigona muelleri)

Abelhas “lambe-olhos” buscam secreção ocular (Foto: CPT)

É conhecida por ser a menor abelha do mundo, com tamanho de aproximadamente 1,5 milímetros. Muita gente que a encontra nem sabe que é abelha. Também é conhecida por “lamber” as lágrimas que umedecem o globo ocular e o suor da pele como coleta. Com a invasão de formigas e colônias, retiram resina armazenada e grudam no invasor para imobilizá-lo. Contam com cerca de 4 abelhas-guarda para proteger a colmeia.

2. Jataí (Tetragonisca angustula)

Foram detectadas a presença de “abelhas-soldadosna proteção de colmeias de jataís: É 1%  do enxame  que serve como guarda da colônia. Essas abelhas possuem características físicas diferentes, apropriadas para a defesa de ataques de espécies invasoras, como a abelha limão (Lestrimellita limao). Além disso, as abelhas fecham a entrada da colônia durante à noite.

“Soldado” à direita e operária à esquerda (Foto: Reprodução/Embrapa)

3. Mandaçaia (Melipona quadrifasciata)

O nome popular significa “vigia bonito” e a espécie é uma das mais conhecidas e criadas no Brasil. Na entrada da colmeia, sempre há uma abelha que vigia a entrada de possíveis invasores. Se a colônia se sente ameaçada, as abelhas atacam o organismo invasor se enrolando nos cabelos e pelos. Este comportamento também é visto em espécies variadas, como a Borá (Tetragona clavipes).

Mandaçaia vigia entrada da colônia (Foto: CPT)

4. Mirim-guaçu (Plebeia remota)

É considerada uma espécie pouco agressiva. Produz própolis de consistência “gosmenta” e o armazena em montes para uso emergencial em caso de invasão – quando acontece, a substância é utilizada para imobilizar e desarticular os invasores.

Mirim-guaçu (Foto Reprodução CPT)

 5. Tataíra (Oxygona tataira)

Conhecida como “caga-fogo”, é extremamente agressiva e possui nas glândulas mandibulares secreções cáusticas capazes de causar queimaduras e ferimentos no invasor. Também conta com abelhas-guarda ao redor da colmeia.

Abelhas “caga -fogo” liberam secreção cáustica (Foto: CPT)

6. Iraí (Nannotrigona testaceicornes)

O corpo da Iraí coberto de resinas de árvores como pinus e eucalipto ajuda a atacar possíveis agressores ao se enrolar nos pelos e cabelos das vítimas. Quando ameaçadas, também penetram agressivamente orifícios dos invasores, como orelhas e narinas.

Abelha Iraí se enrola em pelos e cabelos (Foto: CPT)

Quer conhecer um pouco mais de abelhas nativas? Acompanhe o trabalho do projeto Enxameia – Abelhas Nativas do Brasil no Facebook.

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Autora do livro-reportagem “Doce Sobrevida – apicultura como alternativa no assentamento Taquaral”.
Acredita nas palavras e na sobrevivência das abelhas.

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