Pesquisadores identificaram que as rainhas de colônias da abelha mirim (Plebeia droryana) estão, na realidade, se transformando em operárias. 

O motivo da alteração é preocupante. Vamos explicar:

A diferenciação de castas – rainha, operária e zangão – e suas respectivas tarefas é essencial no funcionamento natural e adequado das abelhas. A falta ou excesso de alguma delas causa diversos desequilíbrios que podem levar a colônia à extinção.

Sabe-se, por exemplo, do fenômeno da colônia zanganeira, quando ocorre excesso de zangões em detrimento das outras castas. Na falta de intervenções, é capaz de comprometer a reprodução do enxame pela falta de rainha e de operárias. As castas fêmeas são responsáveis pela ovoposição, organização, reposição de alimentos das larvas e construção da colmeia.

No mundo das abelhas, os papéis de cada casta têm importância indispensável para a manutenção da colmeia.

Uma pesquisa publicada na revista “Nature” apontou que a abelha mirim (Plebeia droryana) têm mostrado diminuição na incidência de abelhas rainhas nas colônias.

Abelha mirim (Foto: Julio Pupim)

O motivo? Pesticidas.

As abelhas rainhas de espécies nativas se diferenciam das operárias através da maior alimentação na fase larval. Nessa época, são mais nutridas para que se transformem em rainhas.

O estudo apontou que a intoxicação do pesticida Clorpirifós no alimento larval mata as larvas ou não possibilita o crescimento necessário para que a abelha se transforme em rainha. Das 449 larvas expostas ao inseticida durante a pesquisa, apenas 149 sobreviveram.

“As larvas sobreviventes que estavam destinadas a se tornarem rainhas se transformam em operárias porque comem menos alimento do que o necessário” (tradução livre). A conclusão do trabalho é de que quanto maior a dose do agrotóxico no alimento larval, menos ela é consumida pelas larvas. Assim, não se desenvolvem em rainhas.

Os resultados demonstram que diferentes espécies de abelhas percebem a contaminação na comida. Mesmo quando esta é atrativa e necessária.

No Brasil, o uso de pesticidas e outros agrotóxicos é intensivo e indiscriminado.

Para ler mais sobre como as abelhas são afetadas pelos produtos e também como tudo ainda pode piorar, clique aqui.

 

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Autora do livro-reportagem “Doce Sobrevida – apicultura como alternativa no assentamento Taquaral”.
Acredita nas palavras e na sobrevivência das abelhas.

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