Uma excursão de escola foi o que plantou a semente de onde germinou o que hoje é a Organização Não Governamental (ONG) SOS Abelhas Sem Ferrão.

O presidente da organização, Gerson Pinheiro, conta que sua filha Ana Clara, voltou um dia de um passeio com sua turma onde o foco era conhecer a Apis Melífera, conhecida como africanizada, e pediu ao pai um enxame de abelhas jataís.

Surpreso, começou a pesquisar sobre as abelhas sem ferrão e como nós, do Enxameia, se deparou com um universo inigualável. Decidiu que iria dedicar parte de seu tempo livre à divulgação de informações sobre as pequeninas.

O trabalho começou com um pequeno grupo no Facebook, onde os membros divulgavam os trabalhos que tinham como objetivo a proteção das abelhas nativas do Brasil. Hoje, o grupo é a maior ONG do país com foco nas abelhas nativas sem ferrão.

Atualmente, conta com diretores, conselheiros de diferentes formações e mais de 8 extensões espalhadas pelo Brasil. “Todas atuando dentro das mesmas regras e objetivos”, afirma o presidente.

O principal objetivo é potencializar a aproximação das pessoas com as ASFs. Isso é feito seja através dos meliponários didáticos, de resgate de enxames em risco real e iminente de morte e até mesmo pelo programa de doação destes enxames resgatados.

 “Mostramos para as pessoas esta riqueza ambiental que temos e que estamos perdendo pelo simples fato da grande maioria dos brasileiros incrivelmente desconhecerem a existência delas, com isto a nossa principal proposta é irmos onde nos convidam para falar sobre elas e tentar deixar o mais claro possível que nós não queremos simplesmente salvar as abelhas, mas sim preservar a nós mesmos”, afirma Gerson.

“ Nosso trabalho é bastante simples, pois temos como certeza que a melhor forma de proteger as abelhas sem ferrão é simplesmente falarmos delas”

Uma das lições que motivam a organização é sobre o restabelecimento de prioridades em relação às abelhas.  Gerson explica:

“Observe por exemplo o caso do mel em relação às abelhas, percebemos claramente que nós sempre priorizamos a produção do mel como se este fosse o serviço/produto mais importante que as abelhas podem nos oferecer e o pior de tudo é ter certeza que o mel só será produzido se tivermos um meio ambiente minimamente protegido e não fazemos como deveríamos esta proteção”.

A mensagem é clara: precisamos rever com urgência o nosso modelo de produção de alimentos, melhorar a nossa forma de aproveitar estes alimentos evitando assim o desperdício, precisamos rever a nossa forme de descarte, ou seja, precisamos rever a nossa relação com o meio para que seja uma parceria ganha/ganha e não como é hoje, onde nós só retiramos e nada devolvemos.

Como afirma Gerson, por mais que possa parecer difícil sempre existirá uma alternativa melhor do que aquela que nos querem fazer acreditar.

Para conhecer um pouco mais do trabalho da SOS Abelhas Sem Ferrão, acesse a página no Facebook ou o website. Você também pode se voluntariar e ter acesso a mais material sobre as abelhas nativas – fazendo sua parte neste trabalho de proteção. Participe!

 

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Autora do livro-reportagem “Doce Sobrevida – apicultura como alternativa no assentamento Taquaral”.
Acredita nas palavras e na sobrevivência das abelhas.

One Reply to “SOS Abelhas Sem Ferrão: rede de proteção às abelhas brasileiras

  1. Sou de Jacarei /SP, e sempre gostei de abelhas desde meus 7 anos de idade. Hoje estou com 46, tenho em minha casa algumas colônias, 5 total e curto demais ler sobre o assunto. Parabéns a vocês pela linda iniciativa.
    Abraços
    Claudinei Melo

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