No Brasil, temos aproximadamente 3.000 espécies de abelhas nativas. A grande maioria tem hábitos solitários, o que significa que elas não se organizam em colônias como as abelhas sociais, que vivem em sociedade e produzem mel para alimentar sua prole.

Adriana Tiba, ceramista e criadora livre de abelhas, dedica sua arte para a preservação destes seres tão extraordinários.  A artista nos conta que teve seu primeiro contato com as abelhas em uma oficina de meliponicultura em 2004 e, desde então, não passa um dia sem observá-las. Passou a conhecer as espécies e seus hábitos e através de sua habilidade e experiência como artista plástica cria ninhos para a preservação dos seres quase desconhecidos.

Adriana em seu ateliê

“Depois disso, o casamento da atividade da cerâmica com os ninhos de abelhas foi concretizado. Abelhas solitárias do meu espaço verde começaram a nidificar nos potes de argila”

Ninhos do quintal de Adriana

Há muito a se conhecer neste mundo de espécies de abelhas. “No mundo todo, já descrevemos cerca de 20 mil espécies de abelhas, mas estudos sugerem que estes números possam chegar a 40 mil, segundo David Roubick, um dos entomologistas mais importantes da atualidade”, diz a ceramista.

E você, sabe como elas vivem?

As abelhas solitárias não vivem em colônias e cuidam individualmente de todo o ciclo de vida. Isto desde a construção do ninho, passando pelo processo de coleta de alimentos para suas larvas, até a oviposição . E, uma vez selada a entrada da célula de cria, seu trabalho também chega ao final – a mãe não estará mais presente quando seus descendentes estiverem nascendo. 

Os ninhos das abelhas solitárias podem ser encontrados no chão, em uma pequena abertura, que dá espaço para mais de uma abelha. Apesar disso, cada uma delas cuida das suas próprias células de cria. Alguns ninhos também podem ser encontrados em cavidades já existentes em troncos, galhos de árvores ou ocos de bambus.

Ninho construído para abelha solitária

Algumas preferem abrir sua própria entrada, como é o caso da Xylocopa, popularmente conhecida como Mamangava de Toco. Por ser “carpinteira”, esta abelha escolhe madeira mole ou já apodrecida para iniciar a construção de seu ninho.

Abelha do gênero Xylocopa

A maioria das abelhas solitárias coletam pólen em suas patas traseiras, que possuem pelos especiais, chamados de escopa. Estes pelos armazenam pólen misturado com néctar ou óleo floral. Em algumas espécies, estes pelos estão localizados abaixo do abdômen, como na Megachile, por exemplo. Outras, ainda, por não apresentarem aparato de coleta, acabam armazenando pólen no papo e depois regurgitam dentro do ninho, como é o caso da pequena Hylaeus.

Adriana Tiba utiliza argila, madeira, bambu, sementes e frutos de cascas duras para construir ninhos para estes tipos de abelhas. Também ministra cursos para ensinar estas técnicas.

A artista afirma que, para preservar, é necessário conhecimento e ação em conjunto, já que as abelhas são parte do ecossistema, prestam serviço essencial à flora e são também participantes de uma cadeia de vida que envolve um grande número seres vivos. “A escolha de um lugar para a abelha nidificar significa que este espaço é o mais adequado, seguro e viável para ela depositar sua descendência. Isto é de uma importância sem mesura. Observar a abelha entrar e sair do abrigo por nós construído, faz pensar quais critérios uma fêmea se baseia para a escolha daquele orifício em específico”, afirma.

Ninhos em cerâmica para abelha solitárias

 “Saber da existência destas abelhas é importante e mais que isso é poder também entender seus ciclos e hábitos. Abelhas e plantas possuem uma relação íntima, de mutualismo e consequentemente essa relação se estende à nossa existência. Podemos despertar uma consciência, arregaçar nossas mangas e sentir um amor profundo por toda a natureza”, comenta Adriana. Para a artista, o essencial é cada um fazer sua parte e se tornar um exemplo a ser seguido, copiado, compartilhado, inspirado e realizado.

“Tudo que é feito com amor, é suficiente para mover as pessoas”

Para conhecer um pouco mais do trabalho de Adriana, acesse sua página no Facebook clicando aqui.

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Autora do livro-reportagem “Doce Sobrevida – apicultura como alternativa no assentamento Taquaral”.
Acredita nas palavras e na sobrevivência das abelhas.

3 Replies to “Adriana Tiba e a cerâmica a serviço das abelhas solitárias

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