Parece bem difícil fotografar abelhas, né? Na realidade, qualquer fotografia de pequenos insetos ou seres vivos exige mais do que nossa habilidade “natural” usada no cotidiano com nossas câmeras de smartphones. Ainda assim, com um pouco de esforço e com o suporte do equipamento correto, é possível realizar registros um tanto impressionantes.

Fotografia é mensagem, é sentimento. Por isso, tem um potencial enorme de cativar as pessoas e “captura”mais interessados nas abelhas nativas do Brasil.

O meliponicultor e agricultor Julio Pupim é hoje uma das referências nacionais no assunto. Começou a trabalhar com as abelhas nativas para ajudar a polinização do sítio de sua família. Junto da tarefa, desenvolveu a paixão por registrar as pequeninas abelhas. Para o profissional, qualquer um interessado em fotografar as diferentes abelhas pode começar com o que tiver em mãos, até com smarthphones.

Julio Pupim é meliponicultor e fotografa abelhas nativas

“Antes de sair comprando equipamento específico, que costuma ser caro, recomendo que comecem com acessórios acessíveis para o equipamento que tem em mãos”

Conheça alguns dos equipamentos sugeridos pelo fotógrafo:

Acessórios close-up para celular/câmera: Se possui celular com câmera ou uma pequena câmera digital e deseja uma maior ampliação que a lente oferece, você pode buscar por acessórios de baixo custo do tipo close-up, que oferecem ampliação interessante para estes aparelhos.

Pinça close-up para celular

Acessórios close-up para câmera compacta/semi profissional: Para quem já possui uma câmera compacta de lente zoom ou uma semiprofissional de lente cambiável, existem mais acessórios close-up com diâmetros de roscas variados e adequados para cada lente. Estes diâmetros, montados na sua parte frontal, permitem ampliação de +1 até +10x. São facilmente encontrados em sites como Mercado Livre.

Câmeras DSLR: Gastando pouco, é possível usar um anel inversor em sua lente. Indicado para lentes fixas como 28, 35 e 50mm, esta técnica é bastante utilizada em macro-fotografia. É basicamente assim: o anel tem em um dos lados encaixe compatível ao do corpo da câmera e do outro lado roscável na parte frontal da lente de mesmo diâmetro. Assim, rosqueia-se o anel na lente, remove-se a lente e monta-se ela invertida no corpo da câmera.

Anel Inversor e lente pronta para montagem (Fotos: Julio Pupim)

Como explica Pupim, trabalhando de forma invertida, o grupo de elementos internos da lente faz grande ampliação da imagem para o sensor da câmera. Essa técnica é possível somente utilizando lentes antigas, de foco manual, onde se tem o anel de controle da abertura do diafragma na própria lente. Em lentes digitais modernas não é possível, pois não há acesso ao controle de abertura.

“Montada na câmera, essas lentes costumam oferecer bom resultado de nitidez em f/8 a f/11, e ainda oferecendo luz suficiente para o fotógrafo “encontrar” o foco na hora do clique”, diz o profissional.

E o foco?

Como explica o meliponicultor, em lentes invertidas, o foco é fixo. Com a câmera empunhada, é você que o direciona com movimento frente-trás e, assim, vagarosamente percebe que ele “caminha “em milímetros, e que a área de nitidez é curta, de um milímetro a mais ou menos. É necessário tentar novamente e novamente e por várias outras vezes até que consiga “cravar” o foco no momento do clique.

A distancia focal, costuma ter no máximo 10 centímetros do objeto a ser fotografado, o que é bem próximo.  Por isso, cuidado! Muitas vezes, o bicho se assusta e voa.

Mas vale a pena a concentração. Olha aqui a diferença!

Foco adiantado x Foco no ponto certo (Fotos: Julio Pupim)

Já quando o assunto é iluminação, a recomendação é: na falta de um flash externo, use o flash embutido mesmo e terá bons resultados.

Por fim, além da vontade, Julio afirma que é necessária total atenção e uma boa dose de paciência para capturar boas fotos das abelhas.

“Não os afugente com movimentos repentinos e bruscos, tenha muita paciência e, independente do seu equipamento, não desista nos primeiros cliques. Perceba as diferenças entre cada bicho, desconecte de todas as outras coisas e simplesmente curta”

Não é pela estética, apenas. Fotografar abelhas é uma tarefa de expandir visões e conhecimentos. Julio diz que, para nos reconectarmos com o Planeta, o maior objetivo do ofício realizado, não importa qual este seja, é estar junto da natureza. 

Plebeia emerina – Flor de Cordyline sp. 28mm com inversor – f/8 (Foto: Julio Pupim)

Para conhecer mais do trabalho de Julio, acesse sua página no Facebook clicando aqui ou sua página no Flickr clicando aqui

 

Jornalista graduada pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Autora do livro-reportagem “Doce Sobrevida – apicultura como alternativa no assentamento Taquaral”.
Acredita nas palavras e na sobrevivência das abelhas.

2 Replies to “Quer fotografar abelhas? Confira dicas do meliponicultor Julio Pupim

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